Massagem Terapêutica ou Relaxante
- 15 de ago. de 2016
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A História da Massagem
A massagem tem uma longa história permeada de uma vasta literatura. Alguns dos fatos históricos são amplamente difundidos, e a necessidade de repeti-los quase que poderia ser contestada. Ainda assim, a história da massagem continua sendo um tema importante tanto para estudantes como para profissionais e, portanto, merece uma menção em qualquer livro sobre massoterapia.
A prática da massagem vem desde os tempos pré-históricos, com origens na índia, China, Japão, Grécia e Roma. A massagem tem sido mencionada na literatura desde tempos remotos, sendo a referência mais antiga a que aparece no Nei Ching, um texto médico chinês escrito num período anterior a 1500 a.C. Escritos posteriores sobre a massagem foram desenvolvidos por eruditos e médicos, como Hipócrates no século V a.C. e Avicena e Ambrose Pare nos séculos X e XVI rira alguns autores seria o século XVII) d.C, respectivamente. Um livro muito famoso sobre massagem, The Book of Cong-Fou, foi traduzido por dois missionários, Hue e Amiot, criando um grande interesse e influenciando o pensamento de muitos profissionais da massagem.
A palavra terapêutico é definida como "de, ou relacionado _: tratamento ou cura de um distúrbio ou doença". Ela vem do grego therapeutikos e relaciona-se ao efeito do tratamento médico a (therapeia). A palavra massagem também vem do grego masso, que significa "amassar". Hipócrates (480 a.C.) usou o termo anatripsis, que significa "friccionar pressionando o tecido, e este foi traduzido, posteriormente, para a palavra latina frictio, que significa "fricção" ou "esfregação". Este termo prevaleceu por um longo tempo e ainda era usado nos Estados "Unidos até 1870. A expressão para massagem na índia era shampoing; na China a massagem era conhecida como CongFou, no Japão, como Ambouk. A história da massagem em geral é registrada cronologicamente, mas, em vez de seguirmos esse rumo, é interessante considerar algumas de suas aplicações históricas como um recurso terapêutico.
Relaxamento
O relaxamento, que em si mesmo possui um valor terapêutico, talvez seja o efeito mais livremente associado com a massagem. Já em 1800 a.C, os hindus usavam a massagem para redução de peso, indução do sono, combate à fadiga e relaxamento. Ao longo dos séculos, a capacidade de relaxamento da massagem tem sido usada para tratar muitas condições, como histeria e neurastenia (uma forma de síndrome pós-viral).
Circulação sangüínea
Ocorria uma melhora na circulação sangüínea após a ginástica e a aplicação de massagem; dizia-se que esse benefício era tanto sistêmico quanto restrito a uma região. Com aumento da circulação sangüínea, os tecidos eram nutridos e a secreção das glândulas intensificada. O retorno venoso também era melhorado, reduzindo assim a congestão.
Respiração
A expansão do tórax aumentava consideravelmente como resultado do exercício e da massagem. A respiração melhorava como conseqüência dessa mudança, o que garantia a prevenção contra doenças como a tísica (tuberculose). Além disso, uma melhora na respiração tornava a eliminação de toxinas mais eficiente e, assim, o nível de fadiga era reduzido e a condição geral do corpo melhorava. Deformidades da caixa torácica também eram corrigidas com o sistema de exercícios e massagem.
Capacidade e função das articulações
As declarações sobre os efeitos da massagem já eram proferidas por médicos como Herodicos (século V a.C), que afirmava ter grande sucesso no prolongamento do tempo de vida com uma combinação de massagem, ervas e óleos. Um de seus alunos, Hipócrates (o Pai da Medicina, que viveu por volta de 480 a.C), seguiu seus passos e afirmou que podia melhorar a função das articulações e aumentar o tônus muscular com o uso de massagem. Ele também aconselhou que os movimentos de massagem fossem executados na direção do coração, e não dos pés. Esta deve ter sido uma declaração intuitiva ou um mero palpite, já que na época não havia nenhum conhecimento sobre o sistema circulatório.
Durante a Renascença (1450-1600), a massagem foi muito popular junto à realeza. Na França, por exemplo, o médico Ambroise Pare (1517- 1590) era procurado pelos membros da família real por seus tratamentos com massagem. Seu principal interesse era o uso da massagem, e especialmente dos movimentos de fricção, no tratamento do deslocamento de articulações.
John Grosvenor (1742-1823), cirurgião inglês e professor de medicina em Oxford, mostrou-se extremamente entusiasmado com os resultados que estavam sendo conseguidos com a massagem e assumiu o trabalho de Ling e de seu contemporâneo, dr. Johann Mezger, de Amsterdã. Grosvenor demonstrou os benefícios da massagem no alívio de articulações enrijecidas, gota e reumatismo. Entretanto, ele não incluía os exercícios como parte de seu tratamento porque estava mais interessado na cura de tecidos e articulações pela ação da fricção ou do esfregamento. Ele afirmava que, em muitas doenças, esta técnica abolia a necessidade de realizar cirurgias. William Cleobury, membro do Royal College of Surgeons, também usava a massagem para tratamento das articulações. Ele seguia a prática do dr. Grosvenor e usava fricção e esfregamento para tratar as limitações articulares e os fluidos nos joelhos.
Em New York, Charles Fayette Taylor (1826-1899) publicou muitos livros sobre o Movimento Sueco na década de 1860. Charles Taylor estudara o Movimento Sueco em Londres, sob a orientação do dr. Mathias Roth - um importante ortopedista homeopata que acreditava muito no sistema de tratamento de Ling -, e embora tivesse voltado a New York depois de apenas seis meses, estava muito comprometido com o sistema do Movimento Sueco. Seu irmão, George Taylor, também se dispunha a mostrar os efeitos do sistema para tratamento de alterações nas curvaturas da coluna e oferecia amostras de estudos de casos em seus escritos.
Tratamento de lesões
Os gregos começaram a usar a massagem por volta de 300 a.C, associando-a com exercícios para a boa forma física. Os gladiadores recebiam massagens regulares para o alívio da dor e da fadiga muscular. Diz-se que Júlio César costumava ter todo o corpo beliscado e friccionado com óleos.
Na Grã-Bretanha, a massagem era usada pelos membros da Incorporated Society of Massage para o tratamento de soldados feridos na Guerra dos Bôeres (século XIX). O Almeric Paget Massage Corps (que posteriormente se tornou o Military Massage Service) foi estabelecido em 1914 para ajudar a tratar os feridos da Primeira Guerra Mundial, e este serviço estendeu-se para cerca de trezentos hospitais na Grã-Bretanha. Ele foi novamente oferecido na Segunda Guerra Mundial.
Os benefícios da massagem no tratamento de ferimentos de guerra foram salientados em um livro escrito por James Mennell em 1920. Mennell era o oficial médico encarregado do Departamento de Massagem no Special Military Surgery Hospital, em Londres. Trabalhava sob a orientação de Sir Robert Jones, diretor do mesmo hospital. Na apresentação do livro, Sir Robert afirma, sobre a massagem: Como um complemento ao tratamento cirúrgico, a massagem pode ser empregada para aliviar a dor, reduzir o edema, auxiliar a circulação e promover a nutrição dos tecidos. O termo que ele usou para a prática da massagem foi "físicoterapêutica", e definiu seu efeito como "a restauração da função; o que também inclui o uso da mobilização (passiva e ativa) para completar o tratamento".
A massagem hoje
A massagem contemporânea deve seu progresso não necessariamente aos pioneiros, mas a um grande número de profissionais que a utilizam em clínicas, domicílios, hospitais e cirurgias. Por sua eficácia, a massagem garantiu uma firme posição entre outras terapias complementares. Sendo tanto uma arte quanto uma ciência, sua evolução continuará enquanto continuar sendo explorada e pesquisada por estudantes e profissionais.
A Abordagem do Tratamento
O valor terapêutico da massagem estende-se além do relaxamento, embora este seja curativo e produza uma série de benefícios. A maior parte dos movimentos de massagem tem como efeitos terapêuticos adicionais o alívio da tensão muscular e a melhora da circulação. Entretanto, algumas técnicas são chamadas de "aplicadas" porque são usadas para atingir um efeito específico, por exemplo para melhorar a drenagem linfática ou estimular o peristaltismo do cólon. Sua utilização é determinada pela condição que está sendo avaliada; invariavelmente, a massagem é aplicada não para curar um distúrbio, mas para tratar alguns de seus sintomas. Em alguns casos, porém, a massagem é contra-indicada, devido à natureza da patologia envolvida.
Não existe uma rotina fixa para o tratamento por massagem, e nenhum número preestabelecido de vezes em que cada manobra deva ser executada. Além disso, a massagem terapêutica ou aplicada não significa, necessariamente, uma massagem no corpo inteiro. Com muita freqüência, o tratamento é realizado em apenas uma ou duas regiões, por exemplo no abdome e nas costas. Pode ocorrer, também, de apenas algumas técnicas serem necessárias para atingir-se o resultado esperado; por exemplo, para estimular a função de órgãos viscerais ou melhorar o retorno venoso. Conseqüentemente, a massagem jamais deve ser realizada "por receita". Um tratamento não consiste em três manobras de deslizamento em uma direção, seguidos de três manobras de deslizamento em outra direção. Massagem é uma arte, bem como uma ciência, e cada tratamento, mesmo quando realizado por um profissional com pouco tempo de experiência, deve combinar esses dois aspectos. Além de conhecer toda a importante bagagem teórica, é necessário que o profissional desenvolva a habilidade de reconhecer as técnicas aplicáveis e o tempo necessário para sua aplicação. Tal capacitação apenas pode ser conquistada se o profissional monitorar constantemente a resposta dos tecidos e, ao mesmo tempo, as informações fornecidas pelo paciente. O mesmo argumento é válido para a menção do número e duração de sessões necessárias para uma condição. Além das conotações comerciais que o procedimento implica, este formato vai contra a filosofia básica da abordagem holística, na qual os pacientes são vistos como uma entidade individual, com suas próprias capacidades de cura e necessidades.

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