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LER / DORT

  • 3 de ago. de 2016
  • 4 min de leitura

As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são consideradas um problema de saúde pública pela alta prevalência em diversas profissões.

As LER'S ou DORT's são relacionados como a segunda causa de morbidade na população adulta em vários países, inclusive no Brasil (Freeman et al., 1995).

O interesse crescente pelo assunto, na realidade, é a constatação contemporânea de um fenômeno antigo (Regis Filho & Lopes, 1997). Atualmente, tornou-se um problema de saúde pública, devido ao aumento significativo do número de casos. Esta patologia pode levar o profissional à incapacitação temporária ou até mesmo permanente (Santana et al., 1998; Rio, 2000; Santos Filho & Barreto, 2002).

Segundo Helfenstein & Feldman (2001), Lesões por Esforços Repetitivos (LER) não são uma doença ou uma entidade nosológica. Na realidade, as LER representam um conjunto heterogêneo de afecções do sistema músculo-esquelético que estão relacionadas ao ambiente de trabalho.

Há uma vasta nomenclatura na literatura para intitular as LER: Distúrbios ou Desordens por Trauma Cumulativo, Síndrome da Sobrecarga Ocupacional, Síndrome do Esforço Repetitivo, Distúrbios Músculo-Esqueléticos Ocupacionais, Síndrome Ombro-Braço, Síndrome do Membro Superior, Síndrome Cervicobraquial Ocupacional, Síndrome da Hipersolicitação, Síndrome da Dor Crônica do Membro Superior, Injúrias por Uso Repetitivo, Lesões de Sobrecarga Ocupacional, Injúrias Ocupacionais de Esforço de Repetição, Distúrbios do Membro Superior Relacionados ao Trabalho.

Adotou-se, recentemente, no Brasil, o termo DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), mais adequado, substituindo o termo LER, pois engloba vários outros estados dolorosos, sem a necessária presença da lesão tecidual; porém ainda não é satisfatório, pois as afecções ósseas ocupacionais são quase todas exclusivas dos "acidentes" de trabalho, excluindo os distúrbios ligamentares e as neuropatias periféricas.

Alguns consideram como LER/DORT apenas as enfermidades da coluna cervical, cintura escapular e membros superiores, excluindo outros segmentos do corpo; entretanto, deve ser considerado qualquer distúrbio que seguramente esteja relacionado ao trabalho, independente do local afetado. Lima (2001) considerou a LER como um conjunto de doenças que acometem os nervos, músculos e tendões juntos ou separadamente. Apresenta característica degenerativa e cumulativa e é sempre precedida de dor ou incômodo. Quando a origem da LER for uma atividade ocupacional, denomina-se DORT.

A etiologia deste conjunto de afecções é desconhecida. De uma maneira geral, os fatores etiológicos na organização do trabalho podem ser assim resumidos: desrespeito aos fatores ergonômicos e antropométricos (equipamentos, acessórios, mobiliários, posicionamentos, distâncias); excesso de jornadas; falta de intervalos apropriados; técnicas incorretas; posturas indevidas; força excessiva na execução de tarefas; sobrecarga estática; sobrecarga dinâmica.

Michelin et al. (2000) constataram que a insatisfação com o trabalho, a tensão social da época atual, a tensão emocional e o estresse contribuem sobremaneira para o surgimento do DORT.

De acordo com Lima (2001), os indícios de uma eventual lesão podem ser: sensação de peso, dormência, dor em movimento específico, perda de sensibilidade, formigamento, dor generalizada ao repouso, perda de força e inchaço.

De acordo com as pesquisas realizadas, o sexo feminino foi o mais acometido pelas LER Durante & Vilela (2001) e Sato (2001) verificaram que vários são os fatores predisponentes para o desenvolvimento destas lesões nas mulheres, tais como: tarefas domésticas após o trabalho, musculatura mais frágil, uso de anticoncepcionais, menor densidade e tamanho dos ossos; porém, ainda não houve um estudo profundo sobre o assunto.

Lopes & Villanacci Neto (1994) não chegaram a um dado específico quanto à faixa etária; verificaram que o distúrbio acomete profissionais na faixa de idade produtiva. No estudo realizado por Santana et al. (1998) a faixa etária mais acometida por esta patologia foi a de 27-34 anos.

Estudos sobre a doença definem a prevenção como a melhor medida para evitá-la e o primeiro passo é realizar constantemente o auto-exame, observando possíveis mudanças nos

hábitos rotineiros (Ribeiro, 2002). Sato (2001) afirmou que a prevenção é um aspecto bastante importante e, em virtude da causalidade das LER/DORT, não se tem dúvida de que é a organização do trabalho que deve ser modificada, principalmente a relação trabalhador-trabalho e que a educação em saúde é uma outra prática que precisa ser estimulada junto às populações de risco.

As ações preventivas a LER/DORT adotadas pelos profissionais irão propiciar uma melhora na sua qualidade de vida. Os autores consultados recomendam ((Lopes & Villanacci Neto,1994;Lima, 2001;Sato, 2001):

  1. Alternância entre períodos de esforço muscular

  2. Alternância de tarefas que exijam maior e menor esforço

  3. Evitar ficar em posição estática por um período de tempo prolongado

  4. Evitar forças e movimentos repetitivos

  5. Adotar posturas ergonômicas corretas

Os exercícios de alongamento têm como objetivo obter flexibilidade das articulações dos ombros, cotovelos, punhos e dedos, melhorar a circulação, soltar as áreas tensas, preservando a saúde e possibilitando maior qualidade de vida dos seus praticantes (Poi et al.,1999).

Michelin et al. (2000) recomendaram ao profissional evitar o sedentarismo e realizar atividades físicas. Constataram que o DORT é considerado um dos maiores problemas de saúde ocupacional. Observaram que fatores psicossociais são tão importantes quanto os fatores físicos no desenvolvimento, exacerbação ou aceleração desses distúrbios.

A conduta de tratamento inicia-se com um tratamento conservador, afastando o profissional da atividade de esforço repetitivo, medicação analgésica e antiinflamatória, fisioterapia, reforço muscular, orientações preventivas e gerais sobre a organização do trabalho. E, em alguns casos, o tratamento cirúrgico é indicado. O prazo médio para o tratamento e cura da doença não pode ser determinado, pois depende da resposta individual ao tratamento, que deve ser intensivo, com uma equipe multidisciplinar para que o problema não se torne crônico (Lech et al.,1998).

A LER/DORT é responsável pela grande maioria dos afastamentos temporários de profissionais do trabalho, podendo levar ao afastamento definitivo, pois este distúrbio pode provocar invalidez.


 
 
 

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